quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Regime Fechado

Acusado de matar mãe de sertanejo é condenado a 18 anos de prisão

Antônio Bastos, 47 anos, confessou o assassinato de Eva Bernardes, 66.
Cantor Adriano acompanhou júri no Fórum de Goiânia, nesta terça-feira.

Sílvio Túlio e Fernanda Borges Do G1 GO


Antônio Mário Silva Bastos matar mãe de sertanejo Adriano em Goiânia Goiás (Foto: Sílvio Túlio/G1)Condenado, Antônio foi algemado antes de sair do Tibunal do Júri (Foto: Sílvio Túlio/G1)

O balconista Antônio Mário Silva Bastos, de 47 anos, acusado de matar a mãe do cantor sertanejo Adriano, da dupla André e Adriano, foi condenado a 18 anos de prisão em regime fechado. O julgamento, realizado no Fórum de Goiânia, terminou na tarde desta terça-feira (10). Ao depor, o réu confessou o crime. A defesa informou ao G1 que não vai recorrer da decisão.
Antônio Bastos saiu do 1º Tribunal do Júri algemado e foi encaminhado para a Penitenciária Odenir Guimarães (POG), em Aparecida de Goiânia, onde irá cumprir a pena. Eva Mendes, de 66 anos, foi morta em fevereiro deste ano, na casa onde morava sozinha, na capital.

Ao ler a sentença, o juiz Jesseir Coelho de Alcântara disse que o réu não possuía bons antecedentes, pois já tinha ficha criminal por vários outros delitos, e que isso pesou para a condenação.
O magistrado também salientou que o acusado não apresentava comportamento adequado e que as circunstâncias da morte foram prejudiciais a ele, uma vez que a vítima morava sozinha e o conhecia.
Ainda segundo o juiz, a morte de Eva abalou psicologicamente o filho dela, o sertanejo Geovanny Bernardes de Sousa, mais conhecido como Adriano, e os netos da vítima, que eram todos muito ligados a ela.

Confissão
Durante depoimento, Bastos confessou o assassinato, mas negou que a tenha espancado. Além disso, disse que não teve a intenção de matá-la. “Fui tomado por uma força espiritual do mal”, afirmou.


Canto Adriano acompanha júri popular do acusado de matar a mãe, em Goiânia (Foto: Luisa Gomes/ G1)Canto Adriano acompanhou todo o julgamento 
(Foto: Luisa Gomes/ G1)

Conforme contou, no dia do crime ele e a namorada ingeriram bebidas alcoólicas e tiveram uma discussão por ciúmes dele em relação a ela. "Peguei a toalha que tinha acabado de enxugar, a gente discutindo, eu peguei e passei a toalha no pescoço dela", relatou.
Segundo o homem, ele conheceu a vítima ao fazer um programa sexual em Uberaba (MG).  "Apesar da idade, ela era ninfomaníaca. Ela gostou da minha performance sexual", apontou o réu.
Bastos afirmou ao júri que o casal passava quase todo o dia fazendo sexo e pediu desculpas à família porque não queria denegrir a imagem da vítima. "Para vocês, ela passava a imagem de respeito, mas ela estava nessa vida há muito tempo", disse o homem. Ele justificou sua vinda a Goiânia como uma forma de construir uma nova vida, arrumar outro emprego.

Testemunhas
A primeira testemunha a prestar depoimento foi a vizinha da vítima Lucília Gomes Ramos, que foi uma das primeiras pessoas a ver o corpo de Eva. Ela contou, em depoimento, que a vítima morou um ano em Uberaba, onde conheceu o réu, e depois voltou para Goiânia muito assustada. "Ao voltar, foi direto na minha casa, disse que tinha umas coisas para me contar, que estava muito assustada e nunca mais ia voltar para Uberaba", disse Lucilia.


Eva Bernardes, mãe do cantor Adriano, da dupla André e Adriano, é assassinada, em Goiás (Foto: Reprodução TV Anhanguera)Eva Bernardes foi assassinada, em fevereiro 
(Foto: Reprodução TV Anhanguera)

Segundo a testemunha, a vítima relatou que era agredida pelo acusado, sendo inclusive estuprada por ele durante três dias. A vizinha disse ao júri que chegou a ouvir uma conversa no telefone entre vítima e acusado em que o homem pedia que ela passasse o endereço onde ela estava em Goiânia, sob pena de matar a irmã de Eva, que mora na cidade mineira.
Em seguida, prestou depoimento a ex-mulher de Adriano, Luciene Olinda Neves. A defesa do réu questionou as testemunhas sobre o comportamento da vítima e apontou um processo judicial de 32 anos atrás em que ela se envolveu em uma agressão em uma boate. No documento, Eva é apontada pela polícia como prostituta. As testemunhas afirmaram desconhecer esse fato. De acordo com o juiz Jesseir, a acusação de que a vitima era prostituta também foi feita pelo acusado em depoimento anterior ao julgamento.

Morte
Eva foi morta no dia 16 de fevereiro, no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia. De acordo com a investigação policial, ela foi espancada por Bastos dentro de casa e não resistiu aos ferimentos. Um documento do acusado foi localizado pela polícia ao lado do corpo da vítima.


Na época do crime, vizinhos contaram que ouviram um som muito alto vindo de dentro da casa durante a madrugada. Para a polícia, o barulho pode ter sido proposital, para evitar que qualquer pedido de socorro da mulher fosse ouvido.
Após ficar foragido, Bastos foi preso pela Polícia Militar em Uberaba (MG), no dia 1º de março. Depois, foi transferido para Goiânia, onde aguardava o julgamento.
Segundo Adriano, a mãe dele manteve um relacionamento amoroso com o acusado por cerca de três meses antes do crime. “Nem cheguei a conhecê-lo, pois estava viajando muito para compromissos profissionais. Falei com ele umas duas vezes e, de cara, já percebi que não era alguém muito correto. Infelizmente, não tive tempo de intervir nesse namoro e salvar minha mãe. Minha dor é insuperável”, lamentou.

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