Acusado de matar mãe de sertanejo é condenado a 18 anos de prisão
Antônio Bastos, 47 anos, confessou o assassinato de Eva Bernardes, 66.
Cantor Adriano acompanhou júri no Fórum de Goiânia, nesta terça-feira.
Condenado, Antônio foi algemado antes de sair do Tibunal do Júri (Foto: Sílvio Túlio/G1)
O balconista Antônio Mário Silva Bastos, de 47 anos, acusado de matar a
mãe do cantor sertanejo Adriano, da dupla André e Adriano, foi
condenado a 18 anos de prisão em regime fechado. O julgamento, realizado
no Fórum de Goiânia, terminou na tarde desta terça-feira (10). Ao depor, o réu confessou o crime. A defesa informou ao G1 que não vai recorrer da decisão.
Antônio Bastos saiu do 1º Tribunal do Júri algemado e foi encaminhado
para a Penitenciária Odenir Guimarães (POG), em Aparecida de Goiânia,
onde irá cumprir a pena. Eva Mendes, de 66 anos, foi morta em fevereiro
deste ano, na casa onde morava sozinha, na capital.
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Ao ler a sentença, o juiz Jesseir Coelho de Alcântara disse que o réu
não possuía bons antecedentes, pois já tinha ficha criminal por vários
outros delitos, e que isso pesou para a condenação.
O magistrado também salientou que o acusado não apresentava
comportamento adequado e que as circunstâncias da morte foram
prejudiciais a ele, uma vez que a vítima morava sozinha e o conhecia.
Ainda segundo o juiz, a morte de Eva abalou psicologicamente o filho
dela, o sertanejo Geovanny Bernardes de Sousa, mais conhecido como
Adriano, e os netos da vítima, que eram todos muito ligados a ela.
Confissão
Durante depoimento, Bastos confessou o assassinato, mas negou que a
tenha espancado. Além disso, disse que não teve a intenção de matá-la. “Fui tomado por uma força espiritual do mal”, afirmou.
Canto Adriano acompanhou todo o julgamento
(Foto: Luisa Gomes/ G1)
Conforme contou, no dia do crime ele e a namorada ingeriram bebidas
alcoólicas e tiveram uma discussão por ciúmes dele em relação a ela.
"Peguei a toalha que tinha acabado de enxugar, a gente discutindo, eu
peguei e passei a toalha no pescoço dela", relatou.
Segundo o homem, ele conheceu a vítima ao fazer um programa sexual em
Uberaba (MG). "Apesar da idade, ela era ninfomaníaca. Ela gostou da
minha performance sexual", apontou o réu.
Bastos afirmou ao júri que o casal passava quase todo o dia fazendo
sexo e pediu desculpas à família porque não queria denegrir a imagem da
vítima. "Para vocês, ela passava a imagem de respeito, mas ela estava
nessa vida há muito tempo", disse o homem. Ele justificou sua vinda a
Goiânia como uma forma de construir uma nova vida, arrumar outro
emprego.
Testemunhas
A primeira testemunha a prestar depoimento foi a vizinha da vítima
Lucília Gomes Ramos, que foi uma das primeiras pessoas a ver o corpo de
Eva. Ela contou, em depoimento, que a vítima morou um ano em Uberaba,
onde conheceu o réu, e depois voltou para Goiânia muito assustada. "Ao
voltar, foi direto na minha casa, disse que tinha umas coisas para me
contar, que estava muito assustada e nunca mais ia voltar para Uberaba",
disse Lucilia.
Eva Bernardes foi assassinada, em fevereiro
(Foto: Reprodução TV Anhanguera)
Segundo a testemunha, a vítima relatou que era agredida pelo acusado,
sendo inclusive estuprada por ele durante três dias. A vizinha disse ao
júri que chegou a ouvir uma conversa no telefone entre vítima e acusado
em que o homem pedia que ela passasse o endereço onde ela estava em
Goiânia, sob pena de matar a irmã de Eva, que mora na cidade mineira.
Em seguida, prestou depoimento a ex-mulher de Adriano, Luciene Olinda
Neves. A defesa do réu questionou as testemunhas sobre o comportamento
da vítima e apontou um processo judicial de 32 anos atrás em que ela se
envolveu em uma agressão em uma boate. No documento, Eva é apontada pela
polícia como prostituta. As testemunhas afirmaram desconhecer esse
fato. De acordo com o juiz Jesseir, a acusação de que a vitima era
prostituta também foi feita pelo acusado em depoimento anterior ao
julgamento.
Morte
Eva foi morta no dia 16 de fevereiro, no Setor Pedro Ludovico, em
Goiânia. De acordo com a investigação policial, ela foi espancada por
Bastos dentro de casa e não resistiu aos ferimentos. Um documento do
acusado foi localizado pela polícia ao lado do corpo da vítima.
Na época do crime, vizinhos contaram que ouviram um som muito alto
vindo de dentro da casa durante a madrugada. Para a polícia, o barulho
pode ter sido proposital, para evitar que qualquer pedido de socorro da
mulher fosse ouvido.
Após ficar foragido, Bastos foi preso pela Polícia Militar em Uberaba (MG), no dia 1º de março. Depois, foi transferido para Goiânia, onde aguardava o julgamento.
Segundo Adriano, a mãe dele manteve um relacionamento amoroso com o
acusado por cerca de três meses antes do crime. “Nem cheguei a
conhecê-lo, pois estava viajando muito para compromissos profissionais.
Falei com ele umas duas vezes e, de cara, já percebi que não era alguém
muito correto. Infelizmente, não tive tempo de intervir nesse namoro e
salvar minha mãe. Minha dor é insuperável”, lamentou.
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