Aproveitando-se da miséria alheia

Vários prefeitos de cidades localizadas na área da seca estão
utilizando os decretos de calamidade pública aprovados pela Assembléia
Legislativa da Paraíba para burlarem a Lei de Responsabilidade Fiscal. A
denúncia, que está nas redes sociais, tem inteira procedência e mostra
que não tem jeito que dê jeito nesses marginais que botaram a gravata no
pescoço para se tornarem representantes do povo. Quando não transformam
as Prefeituras em sucursais de suas casas, empregando mulheres, filhos,
parentes e agregados, se valem da fome e da miséria do seu povo para
gastar dinheiro público em coisas nada públicas e nada misericordiosas.
Temos, é bom dizer, a vocação para a banda marginal. O cargo público,
que deveria dignificar o homem, é utilizado como meio de enriquecimento
ilícito e fórmula mágica para transformar pessoas reconhecidamente
pobres em magnatas da corrupção.
E a gente vê antigos pobretões, que mal conseguiam morar numa casa
simples, comprando apartamentos suntuosos e verdadeiras mansões na área
nobre de João Pessoa, para onde se mudam com armas e bagagens. Deixam
logo de morar na cidadezinha que os escolheu prefeitos, passando a
visitá-la esporadicamente, com o único intuito de fazer o rapa no cofre.
E essa tal calamidade da seca apareceu feito botija, feito premio de
loteria, um verdadeiro presente de aniversário. Com a calamidade,
poderão gastar tudo, zerar as contas, porque terão a justificativa da
seca, da fome, da sede, do desespero do povo. Mesmo que esse povo
continue na situação de sempre, comendo rato com palma e bebendo mijo,
porque o dinheiro que deveria ser usado em seu favor está sendo desviado
pelos gatunos que se tornaram prefeitos jurando honestidade e trabalho
em favor dos menos favorecidos.
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