Nabor Wanderley avança na cooptação do apoio de prefeitos, João Azevêdo joga parado e Veneziano recorre às queixas e denúncias públicas - Por Nonato Guedes

Não há o que discutir: a grande “sensação” da corrida pelo Senado este ano na Paraíba é mesmo o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), que entrou no páreo “de mansinho”, como azarão ou figura decorativa, mas quando pôs as unhas para fora mostrou, mais do que apetite, um aparato demolidor que assusta e inquieta os concorrentes e até mesmo seu aliado, o ex-governador João Azevêdo (PSB), com quem faz dobradinha. O arsenal de que Nabor lançou mão para avançar no páreo foi a liberação de recursos oriundos de emendas parlamentares para prefeitos de cidades que parecem inalcançáveis, de tão distantes e de tão difícil acesso. E Nabor faz isso sem ser parlamentar nem poder interferir nas emendas, tal qual um “penetra” entra num salão de baile “privè”. Ele tem um emissário privilegiado encarapitado no topo dos escalões em Brasília, o seu filho, Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados e interlocutor do presidente Lula e dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Logo, as emendas estão em casa.
Do ponto de vista das pesquisas de intenção de voto, o resultado da ofensiva estratégica deflagrada por Nabor ainda não foi captado em percentuais, tanto que o ex-prefeito aparece, ainda, abaixo de João Azevêdo e de Veneziano Vital do Rêgo (MDB) nos levantamentos que têm pipocado na mídia. Mas já pode ser notado nas entrelinhas do mapa de prefeitos paraibanos, que somam 223 nas diferentes regiões – nesse universo, contagens confiáveis apontam que quase 170 gestores estão fechados com pelo menos uma candidatura ao Senado – a de Nabor. Não se passa uma semana sem que haja uma adesão ao pai de Hugo Motta, independente de partido ou de posição para candidatura ao governo. O último apoio, simbolicamente expressivo, foi o do prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSDB), eleitor de Cícero Lucena para governador, mas que preferiu Nabor depois de um arrastado “ballet” em que “fingia” flertar com a candidatura de João Azevêdo, seu grande aliado em duas eleições consecutivas na Capital. A vantagem, para Leo? A promessa de emendas e mais emendas parlamentares para sua administração recém-iniciada.
Muitas vezes o próprio deputado Hugo Motta é quem conduz o roteiro de adesões a Nabor, promovendo reuniões a céu aberto em que decide os rumos do Republicanos dentro da máxima de que o partido é independente, tem autonomia e sabe defender seus interesses, desprezando o velho conceito da fidelidade nas alianças. O Republicanos se coloca como uma entidade à parte no cenário paraibano, um partido que se diz diferente, que fecha acordos e cumpre esses acordos, como se deu em 2022 quando apoiou a reeleição de João Azevêdo mas ignorou a candidatura de Pollyanna Werton a senadora porque já estava apalavrado com Efraim Filho (PL), o vitorioso. Políticos que ainda estão apegados ao estilo ortodoxo de fazer política criticam a desenvoltura com que o Republicanos age, como uma espécie de trator na cena estadual, como se quisesse para si todos os cargos que lhe interessam. Há um quê de malandragem na estratégia: em 2022, o Republicanos recusou vagas na chapa majoritária, pleiteando apenas secretarias e a presidência da Assembleia. Quis mostrar desambição, mas afiou as garras e já agora avança pelo Senado, junto com o comando da Assembleia Legislativa, do qual não abre mão para nenhum outro partido.
Como reagem os aliados e adversários de Nabor Wanderley diante da corrida desenfreada e desigual que ele enceta fazendo cara de paisagem, como se não estivesse passando por cima de reforços dos quais talvez venha a precisar? Reagem estupefatos, abespinhados mas incapazes de uma contra-ofensiva para deter a escalada do político das Espinharas. Enquanto a cooptação corre solta para o leito de Nabor, João Azevêdo dá a impressão de que joga parado, como se estivesse no “modo inercial”. João confia no currículo de obras legadas à Paraíba em dois governos e que o próprio Hugo Motta enaltece, mas não consegue ser “agressivo” no pedido de votos. Veneziano recorre às queixas e denúncias públicas, já tendo se confrontado várias vezes com Nabor e seu grupo. O mesmo faz o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, candidato pelo PL, que ainda ontem, em entrevista, verberou contra o “modus operandi” do pai de Hugo Motta.
“Mutatis mutandis”, as cenas de 2026 lembram a entrada em cena, na campanha ao Senado, em 1982, do “furacão” Ney Suassuna, empresário de muitas posses no Rio de Janeiro e no exterior. Ney entrou numa sublegenda com a condição de ser o segundo, já que o principal candidato a senador na chapa encabeçada por Antônio Mariz era o ex-governador Pedro Gondim, uma lenda na história política paraibana. A terceira sublegenda era ocupada por Olavo Nóbrega, de Patos. Em certos momentos, a campanha virou cenário de vida ou morte para os postulantes, e Ney avançou tanto que cheguei a escrever em artigo no “Correio da Paraíba” impresso, que ele estava “proibido” pela cúpula de avançar. A cúpula era presidida pelo saudoso senador Humberto Lucena, que tinha respeito pessoal por Pedro Gondim – mas, de resto, a chapa toda perdeu as eleições para o esquema liderado por Wilson Braga. Ney Suassuna está finalizando mandato como primeiro suplente de Veneziano Vital do Rêgo, neto de Pedro Gondim, mas teve pouquíssimo espaço para virar titular, até pelo antagonismo de posições: Veneziano é “lulista”, Ney é bolsonarista. Sobre a “blitzkrieg” de Nabor & Cia, apenas tumultua o panorama estadual, sem necessariamente garantir que ele seja o grande vitorioso na batalha ora travada. Como se sabe, em política pode acontecer tudo, inclusive nada…
Blog JURU EM DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Adriany Santos
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