ClickJus destaca tragédia no Museu Nacional e debate caminhos legais para investimentos em cultura

No último 2 de setembro o Brasil observou atônito
virarem cinzas parte importante de sua memória coletiva, desaparecendo
vários registros importantes que ajudam a construir a identidade
nacional, assim como pesquisas e estudos científicos que estavam sendo
desenvolvidos nas dependências do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
Antes de qualquer posicionamento que confronte a ausência de
investimentos públicos naquele espaço, o triste acontecimento torna
oportuna uma reflexão acerca da desburocratização e do protagonismo da
iniciativa privativa no Brasil. Dito de outro modo, o incentivo à
consolidação de uma memória coletiva nacional junto com à valorização
dos aspectos que formam a nossa cultura precisam ser continuamente
incentivados, assegurados e promovidos, contudo olhando além da
Administração Pública, observam-se diversas partes interessadas que
podem colaborar com esse propósito, em um debate que pode ser
viabilizado em espaços públicos.
A tragédia, igualmente, proporciona abertura para o debate acerca da
desburocratização, pois em tempos de avanços tecnológicos disruptivos,
todos os atores podem lançar mão das inovações para acelerar
procedimentos, sempre respeitados os limites fixados em lei, para
aferição da conformidade jurídica de atos e decisões. Esta discussão
representa um aspecto imprescindível na construção da retomada da
trajetória de desenvolvimento em terras tupiniquins, viabilizando um
caminho que se adeque aos novos fluxos da economia global, pavimentando
investimentos em todas as áreas, inclusive no apoio à cultura.
Nenhuma decisão no calor dos acontecimentos em um país que enfrenta
grave recessão econômica pode ser tomada para concretizar alguma
tentativa de remediar cenários passados. Qualquer conduta que implique
em repasse de recursos em um ambiente no qual registram-se em agosto de
2018 projeções de déficit do Governo Central de aproximadamente R$ 150
bilhões significa um comportamento que precisa ser acompanhado pela
sociedade.
Entretanto, é válida a criação de uma rede de apoio da qual façam
parte vários stakeholders para a reconstrução do Museu Nacional, a qual
também precisa da atenção dos cidadãos quanto à fiscalização na
aplicação dos recursos. Reafirma-se, portanto, o apoio incondicional à
valorização cultural do povo brasileiro, sublinhando o fato de o BNDES
ter assinado contrato em junho de 2018, com recursos da Lei Rouanet, na
ordem de R$ 21,7 milhões para a revitalização do Museu Nacional. Assim,
apoio à cultura, accountability, responsabilidade fiscal, segurança e
conformidade jurídicas são espaços que precisam manter intersecção
contínua.
Wilson Sales Belchior - Graduado
em direito pela UNIFOR, especialista em Processo Civil pela UECE, MBA
em Gestão Empresarial e mestrando em Direito e Gestão de Conflitos na
UNIFOR. Também possui curso de curta duração em resolução de conflitos
na Columbia Law School, nos Estados Unidos. Palestrante, professor
universitário em cursos de pós-graduação em diferentes estados e autor
de diversos artigos e livros, publicados em revistas, jornais, portais
de notícias e editoras de circulação nacional. Conselheiro Federal da
OAB (2013-2015). Vice-presidente da Comissão Nacional de Advocacia
Corporativa do Conselho Federal da OAB (2013-2015). Membro da Comissão
Nacional de Sociedade de Advogados do Conselho Federal da OAB
(2010-2012).
ClickPB - Por Wilson Belchior
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