Decisão de Lula de manter candidatura desagrada a aliados de Fernando Haddad
Eles avaliam que há risco de dispersão dos eleitores do ex-presidente ao prolongar ainda mais o prazo para a substituição da candidatura petista
© Paulo Pinto / Fotos Públicas
A decisão do ex-presidente
Lula de esticar a corda e insistir no discurso de sua candidatura até o
limite desagradou aos aliados de seu vice e provável substituto,
Fernando Haddad.
A avaliação de auxiliares do ex-prefeito de São Paulo, somados
a governadores e deputados do PT, é que há risco de dispersão dos
eleitores de Lula ao prolongar ainda mais o prazo para a substituição da
candidatura petista.
Nesta segunda-feira (3), após horas de
reunião dentro de sua cela em Curitiba, Lula deu aval para seus
advogados entrarem com recursos no STF (Supremo Tribunal Federal) para
pedir a derrubada da decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que
barrou sua candidatura ao Planalto na semana passada.
A
sinalização do ex-presidente, portanto, é manter a tática de que vai
lutar em todas as instâncias para garantir seu registro de candidato.
Nos bastidores, porém, não há otimismo e a maior parte dos petistas não
acredita que o Supremo conceda uma liminar para que Lula concorra em
outubro.
Segundo aliados de Haddad, a narrativa do ex-presidente
tem funcionado até agora, mas o cenário pode mudar após a resolução do
TSE.
O
argumento é que, com o bloqueio institucional no caminho do
ex-presidente, seus eleitores entenderam, na prática, que ele não será
candidato e podem começar a se desmobilizar, inclusive, migrando o voto
para um candidato identificado com bandeiras mais à esquerda, como Ciro
Gomes (PDT).
Como mostrou a Folha de S.Paulo no fim de agosto,
além de Ciro e Marina Silva (Rede), que aparecem nas pesquisas como
herdeiros do espólio lulista, o discurso pró-segurança de Jair Bolsonaro
(PSL) tem seduzido eleitores de Lula no Nordeste e preocupado a
campanha do PT.
A outra ala do partido, capitaneada pela
presidente da sigla, Gleisi Hoffmann (PR), discorda da tese de antecipar
a substituição e defende manter o discurso de que Lula é candidato até o
limite -nesse caso, dia 11 de setembro, quando acaba o prazo dado pelo
TSE para a troca na chapa.
Auxiliares de Haddad -e o próprio
ex-prefeito- temem que o tempo seja escasso para fazer seu nome, pouco
conhecido nacionalmente, angariar o apoio que hoje está na órbita de
Lula -o ex-presidente tem 39% das intenções de voto, segundo o
Datafolha.
A partir do dia 11 de setembro, Haddad terá apenas 25
dias para fazer o eleitor de Lula entender que ele será o representante
do ex-presidente na urna e que sua imagem estará plenamente fundida à do
ex-presidente.
Lula defendia que a mudança fosse feita o mais
perto possível do primeiro turno mas, após a decisão do TSE de barrar
sua candidatura, quis ouvir aliados que pensam o contrário. Mesmo assim,
não foi convencido, e decidiu manter a estratégia.
Dentro do partido ainda há um grupo minoritário que defende ir com
Lula até o fim, ou seja, insistir na candidatura do petista e não fazer a
troca na chapa, numa espécie de boicote à eleição. O ex-presidente,
porém, não concorda.
Notícias ao Minuto com informações da Folhapress
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